escrever registra, trascreve, transpõe, traduz, expõe, retrata e emoldura as palavras, extensão das sensações.
ler, ressignifica, envolve, acolhe, dilacera, recolhe milimetricamnte toda e qualquer identificação, espelho das sensações.
te ponho muda, escolho a música que acompanha tua imagem, recolho minuciosamente cada frame, e milimetricamente trasncrevo em mim cada milisegundo das suas expressões, a cada piscada, a cada respiração… em camera lenta. guardo criteriosamente o teu cheiro, de certa forma chego até a te reinventar. és personagem da minha real ficção. chego a forçar cenas e caras.
costumo exagerar, dilacerar, escancarar.
não sei o que estás a falar. de fato não me importa. não estou nas tuas palavras. me ausento nos seus diálogos, estou só a passear. e embora amanhã te recolhas para outros lençois, estás em meus braços até acordar…
Andrea M.
Nat King Cole - Monalisa
tomou o remédio e foi dormir… freiando a ânsia, pausando os sentimentos.
naquele turbilhão inquieto de oscilações rítmicas, o coração na boca…
é um alerta sonolento, as sensações fazendo fila, invertendo posições, qual angústia é mais urgente?
…noite a dentro. pelos sonhos. na esperança de que lá o entrelaçado dos nós possa desatar em soluções. e que num suspiro aliviado acorde para um novo dia…
Andrea M.
….o caminhar já era mais apressado.
impaciente a ansiedade me consumia.
quase sempre todo meu despertar me remete ao conhecido.
penso que já estive naquele lugar. com outras fantasias. em outros carnavais.
ainda assim prossegui. a curiosadade tomava forma.
a sensação ainda não havia se traduzido mas também não queria.
o senso de embriaguez me permitia uma adrenalina quase que irreal
e a realidade da qual eu parecia sempre fugir, estava anestesiada.
a sensação não havia se acomodado. mas ocupava um espaço maior, e vivia em constante mudança.
a voz era mansa e as palavras saiam da boca em perfeita sintonia numa cadência de uma canção que eu ia escrevendo.
era um muro que parecia inalcançável …e a felicidade estava lá… atrás dele.
eu a via. tentei tocar inumeras vezes, experimentei inumeras outras.
nesse muro eu deitei a cabeça, dormi encostada, escalei, me pendurei….
olhei fixamente enquanto andei em circulos, comprei um banco, uma escada….
não sei se vivi, ou se sonhei…
a sensação não se traduz, não tem forma nem cor.
mas ela vai… com o vento.
Andrea M.
Tenho medo de não voltar
por isso te prendo passarinho
pois o céu pode esperar.
Andrea M.
…mas eu gosto mesmo é da madrugada.
onde o silêncio me completa. quando eu posso ouvir a minha respiração.
onde o mundo é meu e onde as notas soam sem pressa…
Andrea M.
Essa Noite
Essa noite eu sonhei
Com o amnha de um novo dia
Esem querer acordar
Sobrevivi nessa alegria
De sonhar….
Andrea M





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